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 Prêmio Vozes Agudas

Prêmio nasce como estratégia para promover trabalhos de

mulheres artistas racializadas e trans em início de carreira


 

A primeira edição do Prêmio Vozes Agudas recebeu 832 inscrições, das quais foram selecionadas três artistas e concedidas duas menções honrosas. Organizado por um grupo de estudos homônimo, com apoio do Ateliê397, o Prêmio surge como possibilidade de acessar os trabalhos de artistas mulheres racializadas, trans invisibilizadas e outras tantas excluídas dos circuitos prestigiados das artes. Com a pandemia e o recrudescimento da paridade de gênero nas relações de trabalho, o Prêmio também nasce da urgência de elaborar estratégias que promovam visibilidade às produções de mulheres artistas.

 

Premiadas

Laryssa Machada (@laryssamachada), natural de Porto Alegre (RS) mas residente em Salvador (BA), trabalha com ficcionalizações fotográficas que visam a reelaborar o vocabulário visual de cunho afrodescendente e indígena, dentro da chave descolonial de torção dos arquétipos regionais.

 

Massuelen Cristina (@massuucristina) é mineira com formação em Psicologia e em Artes Visuais, transita por mídias tecnológicas para construir narrativas subjetivas de percepção de um ser/devir ruidoso no mundo, em que a dimensão racial e de gênero debatem-se com os imperativos de vida e suas contradições.

 

Mônica Coster (@___monicacoster), paulista mas residente e atuante no Rio de Janeiro, aborda em sua produção estratégias de desvio de sistemas, seja no âmbito da crítica institucional em diálogo com o campo arquitetônico, seja no contexto dos sistemas corporais e seus fluxos de produção.


 

Menções honrosas

Coletivo Terroristas del Amor (@terroristasdelamor), formado pelas artistas Dhiovana Barroso e Marissa Noana, naturais de Fortaleza (CE), que mobilizam diversas linguagens ligadas ao arcabouço da militância artística para desencadear um processo educativo e elucidativo das experiências e afetividades lésbicas, além das diversas violências das quais estão à mercê. 

 

Vulcanica Pokaropa (@vulknik). Artista travesti racializada, Vulcanica faz uso de aparatos performáticos e documentais para elaborar peças de crítica e de expurgo à heterossexualidade/cisgeneridade compulsória e aos transfobismos imersos em nossa cultura.

 

As três selecionadas receberão um prêmio de R$ 1.000,00, além do impulso na divulgação dos trabalhos a partir de três ações: elaboração de um texto crítico, divulgação do trabalho nas redes sociais do Ateliê397 e do Vozes Agudas e a gravação de edição especial do Podcast Vozes Agudas. As menções honrosas, concedidas pelas juradas devido a qualidade dos trabalhos recebidos, também serão contempladas com texto crítico elaborado por pesquisadoras e curadoras do coletivo e participarão da gravação de um podcast. Além disso, as artistas contempladas integrarão a Exposição Vozes Agudas, que será realizada no primeiro semestre de 2021, na Galeria Jaqueline Martins, e que seguirá em itinerância para a Galeria Karla Osório de Brasília.


 

O Prêmio

O Prêmio Vozes Agudas concluiu sua primeira edição com considerável circulação no meio das artes visuais. Das 832 inscrições, 62,7% são do sudeste, mas as demais regiões brasileiras tiveram representação: 11,2% região sul, 8,5% região centro oeste, 13,1% nordeste, 1,4% região norte e 1% de brasileiras residentes no exterior. Seguindo o perfil do edital, as juradas procuraram, ao analisar os portfólios enviados, contemplar tanto artistas que necessitam de um investimento na carreira como também a trajetória empreendida até aqui. Quanto aos parâmetros de seleção, não foram aplicados os tradicionais “critérios de qualidade” vigentes no mundo das artes. Como estuda e defende a professora e pesquisadora Talita Trizolli, que compõe o coletivo, eles “são contingenciais e, por isso, eurocêntricos, universalistas e convenientes para a contínua exclusão de trabalhos de grupos vulnerabilizados e em risco social”, portanto, foram os marcadores sociais não privilegiados, como autodeclaração de cor e gênero, além do não pertencimento aos circuitos privilegiados da arte, o eixo Rio-São Paulo, que levaram a um resultado coerente com o perfil do prêmio.

 

Desdobramentos

Já confirmadas para o primeiro semestre de 2021, a Galeria Jaqueline Martins (São Paulo), parceira do Prêmio, realizará exposição com as artistas premiadas e artistas convidadas locais e a itinerância da exposição para Brasília, na Galeria Karla Osório, que também contará artistas locais. Seguindo esse passo ousado de diálogo nacional, ainda está em negociação a possibilidade dessa itinerância passar por Rio de Janeiro e Recife. Outro desdobramento será a realização de uma residência artística, com apoio da Usina de Artes, em Água Preta (PE). Cris Peres, também inscrita no Prêmio, e Lícida Vidal, participante do coletivo, foram selecionadas para uma imersão de dez dias na Usina de Artes, em abril de 2021. Cris Peres trabalha com gravuras e embalagens descartadas, cimento e gesso e procura, assim,  uma “ocupação feminina e preta” da arte contemporânea. Lícida Vidal, investiga as relações humano e natureza, as colonizações das paisagens e a subalternização de corpos e territórios vulnerabilizados e explora, a partir de instalações e vídeos performances, maneiras de devolver autonomia e outras formas cooperativas, interdependentes, de relacionalidades.  

A fim de promover intercâmbio e diálogo que ultrapassam barreiras geográficas, as artistas residentes, uma de João Pessoa (PB) e outra de São Paulo (SP), vão promover uma agenda de encontros com a comunidade de Água Preta a partir das suas propostas artísticas.

 

Quem somos

Vozes Agudas é um grupo de estudos e intervenções com ênfase feminista, formado exclusivamente por mulheres atuantes no circuito artístico paulistano, como pesquisadoras, curadoras, produtoras, artistas, educadoras e gestoras, que se encontram regularmente há mais de um ano, no espaço do Ateliê397, em São Paulo (SP). Propor ações mais efetivas na promoção de visibilidade de curadoras e artistas mulheres levaram a criação de um podcast, até agora com 14 episódios já disponíveis em diversas plataformas, e esse ano a criação desse prêmio.

Apoio

Quem viabilizou o 1º Prêmio Vozes Agudas para Mulheres Artistas foram mulheres colecionadoras. Uma parceria muito importante que o Ateliê 397 mantém é com o Arte em Rede, coordenado por Alayde Alves, alguém que se identificou com o perfil do prêmio e então colocou em contato com o grupo outras mulheres que aportaram verbas e apoios para a realização do prêmio e seus desdobramentos em exposições e até um programa de residências. 

Parceria

Galeria Jaqueline Martins

Apoiadoras

Alayde Alves

Art’emRede Online

ICCo

Karla Osório

Rose Nugent Setubal

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