Amarração

Mostra de performance e vídeo do Prêmio Vozes Agudas


 

Pensada a partir de uma reflexão simbólica, material e política sobre a atividade têxtil, 15 artistas apresentam aqui trabalhos que amarram, conversam, tensionam, caminham, brincam, dançam e cantam com o argumento desta mostra. Um argumento que se coloca em oposição à lógica etnocêntrica ocidental, fortemente baseada em políticas de esquecimento e apagamento, e que surge a partir de dois fios que se entrecruzam. O primeiro se estabelece na própria constituição do Coletivo Vozes Agudas, organizador desta exposição – um grupo de mulheres com diferentes formações e atuações nas artes -, cujo maior interesse é propor ações que garantam mais visibilidade e reconhecimento do trabalho feminino no campo artístico. O segundo fio liga-se à memória advinda do ofício exercido por trabalhadoras(es) no prédio que recebe a Amarração – Mostra de Performance e Vídeo do Prêmio Vozes Agudas. O espaço em que hoje está localizado o Ateliê397 abrigou uma fábrica de tecidos – o local ainda conserva, em suas paredes, marcas de etiquetas, anotações de medidas, restos de linhas, carimbos etc. São vestígios de uma das atividades que integram a grande cadeia têxtil: a confecção – e que é majoritariamente sustentada às custas do trabalho precarizado das mulheres. Sem esquecer que esse setor fabril esteve intrinsecamente ligado à inserção da mão de obra feminina no campo trabalhista dentro do capitalismo industrial, mas que também, historicamente, se faz presente no cotidiano doméstico de muitas mulheres, como fonte de renda informal no sustento de diversas famílias. Nessa trama em que se tece a mostra Amarração, é preciso lembrar ainda que são estabelecidas relações que buscam refletir a materialidade têxtil, objetiva e/ou simbolicamente, ligada também às práticas cotidianas, aos saberes comunais, às memórias coletivas e às questões de gênero. Assim, a Amarração se divide em quatro núcleos, intitulados Fiar, Romper, Corpar e Remendar, que se compõem a partir de questões presentes nesta mostra: que experiências e vivências nos tecem? Que fios nos ligam à nossa ancestralidade? Quais são as nossas performances diárias? Qual veste nos cabe? Como romper com estruturas bem tramadas? Remendar é preciso? Por fim, para não nos esquecer daquelas que nos precederam, é preciso lembrar que elas estão sempre amarradas a nós!

Texto por Khadyg Fares

Programação:

Dia 23/10 – Fiar -Guilhermina Augusti (vídeo), Jocarla (performance), Marina da Silva (vídeo) e Paola Ribeiro (performance)

14h30: invisíveis à pátria armada – Jocarla

17h: Carta de Reis – Paola Ribeiro

Dia 30/10 – Romper – Amanda Teixeira (vídeo), Guillermina Bustos (performance), Trícia Morais (vídeo e objeto)

14h30 às 18h: Amor Usado – Guillermina Bustos

Dia 06/11 – Corpar – Bruxa Travesti (vídeo), Marília Scarabello (performance), Sol Casal (performance), Virna Bemvenuto (vídeo)

14h30: Ação—Tecer [Tecido Urbano] – Marília Scarabello

17h: Posses Obscenas | O Cobertor – Sol Casal

Dia 13/11 – Remendar -Carolina Velasquez (performance), Cris Peres (vídeo), Luanah Cruz (performance), May Agontinme (performance)

14h30: A Experiência da Vida É a Pergunta – Experimento 5: “Traziam a Memória Daqui, de…”  e Experimento 16: “A Experiência da Vida É a Resposta” – Luanah Cruz

17h: 2.798 – May Agontinme

18h: Costura Ancestral – Grupo Wiphala Fabulosa. Artista propositora: Carolina Velasquez – Artistas participadoras: Areta Padma, Fernanda Soto, Natali Mamani, Gabrieli Lecona e Tania Sayri